
"A melhor companhia é aquela disposta a batalhar ao nosso lado, enfrentando de mãos dadas todos os problemas das nossas vidas".
(Sebastião Wanderley)
Relações intergeracionais

Diana Magalhães, "O que são relações intergeracionais?"
Podemos afirmar que o idoso que vive sozinho apresenta, por norma, mais obstáculos a nível de saúde e das tarefas diárias, uma vez que tanto os fatores físicos como mentais não são os mesmos, tornando qualquer tipo de apoio uma mais-valia nesta fase de vida.
A sociabilização dos idosos com outras pessoas parece ser uma solução, já que os permite executar diversas atividades desde as mais simples, como as conversas que estimulam o cérebro, à satisfação de necessidades primárias, como a alimentação, visto que têm alguém a quem recorrer caso não tenham condições de adquirir esses bens essenciais.
Sendo assim, a necessidade de projetos que visem encontros intergeracionais ganha uma importância acrescida no combate ao isolamento.
Entende-se por este conceito que "As relações intergeracionais podem ser entendidas como vínculos que se estabelecem entre pessoas ou grupos de pessoas com idades distintas e em diferentes ciclos de desenvolvimento, possibilitando a troca de experiências e contribuindo para a produção de conhecimento de dada comunidade” (Ferreira, Massi, Guarinello, & Mendes, 2015, p.255).
Daí surge a importância de implementar programas de políticas públicas que visem o bem-estar dos mais velhos e que, ao mesmo tempo, trazem para o país benefícios económicos, na medida em que o Estado não apresenta encargos tão altos com a saúde da população idosa (Ramos, 2002).
Estes programas procuram envolver desde os mais pequenos aos jovens adultos porque todos temos algo para ensinar e para aprender ao longo da vida.

Diogo Freitas, "A relação entre jovens e idosos"
No caso da companhia de jovens, estes são pessoas de uma geração mais recente e tendencialmente têm uma mentalidade mais aberta a novas experiências, podendo ensinar ao idoso coisas novas que este esteja disposto a aprender, por exemplo, no que toca às tecnologias, fazendo-os sentir mais atuais, úteis e valorizados. Sendo pessoas mais ativas podem, também, influenciar a atividade física e o desenvolvimento de jogos e exercícios para que os mais velhos possam trabalhar a mente. Conferem um papel fundamental na vida dos idosos, principalmente os que vivem mais isolados, já que podem ter muito impacto na vida social, psicológica, física e emocional destes e integrá-los ainda mais na comunidade onde se inserem, tendo muito por base a estima pelas gerações mais novas (Cortez & Sousa, 2012; Ferreira et al., 2015).
No entanto, também os jovens beneficiam com este tipo de relações, uma vez que aprendem mais sobre respeitar os outros e ajudar os demais. Veem estimuladas as suas relações sociais, permitindo a perda de timidez e definição dos seus objetivos enquanto futuros adultos que aprendem, também, com os erros e vitórias das pessoas em volta (Ferreira et al., 2015).
Esta partilha de diferentes perspetivas e vivências tornam todos os indivíduos mais ricos intelectualmente e juntos criam uma ligação de afeto que pode durar toda a vida e influenciar a personalidade dos participantes.
Referências:
Cortez, M. G., & Sousa, A. P. (2012). Intergeracionalidade: Que futuro?, VII Congresso Português de Sociologia, 1-17. Universidade do Porto.
Ferreira, C., Massi, G., Guarinello, A., & Mendes, J. (2015). Encontros intergeracionais mediados pela linguagem na visão de jovens e de idosos. Revista Distúrbios daComunicação, 27(2), 253-263.
Ramos, M. P. (2002). Apoio social e saúde entre idosos. Sociokogias, (7), 156175.
Depoimentos
A entrevista acima foi dirigida a Joana Blanquet de 21 anos, estudante universitária do Porto, com o objetivo de conhecer um pouco sobre o projeto intergeracional em que está envolvida, servindo de exemplo de iniciativa para combater o isolamento e má qualidade de vida dos mais velhos.